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#Notícias#Literatura

Eliana Alves Cruz é a primeira mulher negra a vencer o Jabuti de Romance Literário

Por Ronaldo Martins

29/10/2026

A escritora e jornalista carioca Eliana Alves Cruz venceu o Prêmio Jabuti 2026 na categoria Romance Literário com Meridiana, publicado pela Companhia das Letras. A conquista, anunciada em 27 de outubro, durante a cerimônia da 68ª edição da premiação, marca a primeira vitória de uma mulher negra nessa categoria. O romance acompanha a trajetória de uma mulher negra brasileira e aborda questões de identidade, memória, pertencimento e relações familiares.

Em Meridiana, Eliana Alves Cruz constrói uma narrativa centrada nas experiências de sua protagonista, articulando acontecimentos pessoais e familiares com questões sociais e históricas. O romance explora as relações entre passado e presente, a formação da identidade e os caminhos percorridos por mulheres negras em uma sociedade marcada por desigualdades raciais e de gênero. A obra integra a produção literária da autora, caracterizada pelo interesse na memória da população negra brasileira, na história da escravidão e em seus desdobramentos contemporâneos. Seus romances frequentemente recuperam personagens e experiências pouco representados nas narrativas históricas tradicionais.

Na disputa pelo prêmio de Romance Literário, Meridiana superou Coração sem medo, de Itamar Vieira Junior; Dança de enganos, de Milton Hatoum; Uma delicada coleção de ausências, de Aline Bei; e Vez em quando, Billie Holiday, de Evandro Affonso Ferreira.

Nascida no Rio de Janeiro, Eliana Alves Cruz é jornalista e escritora. Sua estreia no romance ocorreu com Água de barrela, publicado em 2016, obra que acompanha diferentes gerações de uma família negra e reconstrói experiências relacionadas à escravidão, à emancipação e à vida no Brasil pós-abolição. O livro venceu o Prêmio Oliveira Silveira, promovido pela Fundação Cultural Palmares, e projetou a autora no cenário literário brasileiro.

Em 2018, publicou O crime do cais do Valongo, romance histórico ambientado no Rio de Janeiro do século XIX. A narrativa combina investigação policial e reconstrução histórica, tendo como cenário a região portuária da cidade, marcada pelo tráfico transatlântico de africanos escravizados.

Em Nada digo de ti, que em ti não veja (2020), a escritora retomou o período colonial brasileiro, abordando relações de poder, religiosidade, gênero e sexualidade. Já Solitária (2022) acompanha a vida de duas mulheres negras, mãe e filha, que trabalham e moram em um condomínio de luxo, explorando desigualdades sociais e relações de trabalho doméstico.

A autora também publicou contos e obras destinadas ao público infantojuvenil, além de participar de antologias literárias.

A vitória de Eliana Alves Cruz ocorre em uma categoria que, ao longo da história do prêmio, reconheceu escritores como Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Milton Hatoum e Itamar Vieira Junior. A conquista também amplia a presença de escritoras negras entre os vencedores das principais distinções literárias brasileiras, em um contexto de crescente publicação e circulação de obras que abordam a experiência histórica e contemporânea da população negra.

A categoria Romance Literário integra o eixo Literatura do Prêmio Jabuti. A vencedora recebe a estatueta da premiação e R$ 5 mil.

Organizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Jabuti foi criado em 1958 e contempla atualmente 23 categorias distribuídas entre Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação. A cerimônia de 2026 ocorreu na Sala São Paulo, na capital paulista.

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