Por Patrícia Pessoa
28/10/2026
O escritor e jornalista Ruy Castro venceu o prêmio de Livro do Ano do Jabuti 2026 com Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio, publicado pela Companhia das Letras. O anúncio ocorreu em 27 de outubro, durante a cerimônia da 68ª edição do prêmio, na Sala São Paulo. É a segunda vitória consecutiva do autor na principal categoria da premiação, depois de conquistar o mesmo reconhecimento em 2025 com O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim.
Em Trincheira tropical, Ruy Castro reconstrói a vida política, social e cultural do Rio de Janeiro entre 1935 e 1945, período marcado pelo Estado Novo de Getúlio Vargas e pela Segunda Guerra Mundial. A obra apresenta a então capital federal como um espaço de disputas internacionais, espionagem, propaganda política e circulação de refugiados, diplomatas e agentes ligados aos países envolvidos no conflito.
O livro examina como os acontecimentos internacionais repercutiram no cotidiano carioca, desde a presença de simpatizantes do nazismo e do fascismo até as transformações provocadas pela entrada do Brasil na guerra, em 1942. A narrativa também aborda o ambiente cultural da cidade, incluindo o rádio, a imprensa, a música e os hábitos de seus moradores.
A pesquisa combina documentos históricos, notícias de jornais, relatos pessoais e outras fontes para recuperar personagens e episódios pouco conhecidos da história brasileira. O resultado é um panorama da cidade em um momento de intensas mudanças políticas e sociais.
Além de receber o prêmio de Livro do Ano, Trincheira tropical venceu a categoria Biografia e Reportagem, do eixo Não Ficção. A dupla premiação repete o desempenho de Ruy Castro na edição anterior do Jabuti, quando O ouvidor do Brasil: 99 vezes Tom Jobim conquistou tanto o prêmio de Crônica quanto o de Livro do Ano.
Nascido em Caratinga (MG), em 1948, Ruy Castro iniciou a carreira jornalística na década de 1960. Trabalhou em veículos como Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Pasquim, Manchete e Folha de S.Paulo. Sua produção literária destaca-se pela investigação biográfica e pela reconstrução de episódios da história cultural do país.
Entre suas obras mais conhecidas estão Chega de saudade (1990), sobre a história da bossa nova; O anjo pornográfico (1992), biografia de Nelson Rodrigues; Estrela solitária (1995), sobre Garrincha; e Carmen (2005), dedicada à trajetória de Carmen Miranda. Também publicou Ela é carioca (1999), um inventário de personagens e lugares de Ipanema, e Metrópole à beira-mar (2019), sobre o Rio de Janeiro dos anos 1920.
Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 2022, o escritor ocupa a cadeira 13, anteriormente pertencente ao acadêmico Sergio Paulo Rouanet.
A conquista do Livro do Ano assegura ao autor R$ 70 mil, além da possibilidade de participar de uma feira internacional do livro em 2027, com despesas custeadas pela Câmara Brasileira do Livro (CBL). Entre as opções estão os eventos de Londres, Bolonha, Frankfurt e Guadalajara.
Criado em 1958, o Prêmio Jabuti é uma das principais distinções do mercado editorial brasileiro. Sua 68ª edição recebeu 4.675 inscrições e premiou obras em 23 categorias, distribuídas pelos eixos Literatura, Não Ficção, Produção Editorial e Inovação.
A escolha do Livro do Ano é realizada entre obras premiadas nas categorias elegíveis da edição. A distinção reconhece um título considerado especialmente representativo da produção editorial brasileira naquele ano.