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#Notícias#Aquisição de Segunda Língua

Capacidade de distinguir sons influencia aprendizagem de línguas estrangeiras

Por Ronaldo Martins

22/10/2026

Pessoas capazes de perceber diferenças acústicas sutis apresentam maior facilidade para reconhecer sons de línguas estrangeiras, segundo pesquisa publicada no Journal of Experimental Psychology: General. O estudo, realizado por cientistas de universidades britânicas e japonesas com 207 estudantes japoneses de inglês, identificou uma associação entre a precisão auditiva, o reconhecimento de vogais estrangeiras e a atividade cerebral durante o processamento da fala.

A pesquisa, conduzida por uma equipe internacional liderada por Kazuya Saito-van Poeteren, da University College London (UCL), investigou por que estudantes com experiências semelhantes de aprendizagem podem apresentar desempenhos diferentes na percepção dos sons de uma segunda língua.

Os pesquisadores concentraram-se em duas vogais do inglês, /æ/ e /ʌ/, presentes, respectivamente, nas palavras cat e cup. Esses sons não correspondem diretamente às categorias vocálicas do japonês, o que pode dificultar sua diferenciação por falantes dessa língua.

O trabalho combinou testes comportamentais e exames de neuroimagem. Na primeira etapa, 140 universitários japoneses realizaram tarefas de discriminação auditiva para identificar pequenas diferenças entre sons não linguísticos, como variações de frequência. Também foram avaliados quanto à capacidade de distinguir as duas vogais inglesas.

Os resultados mostraram que os participantes com maior precisão auditiva apresentavam melhor desempenho na identificação dos sons estrangeiros. Essa associação permaneceu relevante mesmo quando foram consideradas diferenças na experiência de aprendizagem, como tempo de estudo, treinamento de pronúncia e períodos de permanência em países de língua inglesa.

Na segunda etapa, 67 participantes foram examinados por ressonância magnética funcional enquanto distinguiam vogais inglesas e estímulos acústicos sem significado linguístico.

Os exames indicaram que estudantes com menor precisão auditiva tendiam a apresentar maior ativação de regiões sensório-motoras do hemisfério esquerdo, envolvidas no planejamento e na execução dos movimentos da fala, durante o reconhecimento das vogais estrangeiras.

Uma interpretação proposta pelos pesquisadores é que esses estudantes recorrem mais intensamente aos padrões articulatórios de sua língua materna para processar sons desconhecidos. Como as categorias fonéticas do japonês não correspondem exatamente às do inglês, essa estratégia pode dificultar a percepção das diferenças.

Em contraste, participantes com maior precisão auditiva apresentaram padrões de atividade cerebral mais próximos daqueles observados durante o processamento de sons não linguísticos. Segundo os autores, isso sugere maior capacidade de analisar as características acústicas dos estímulos antes de associá-los às categorias fonéticas já conhecidas.

O estudo contribui para compreender o papel das habilidades auditivas gerais na aquisição da fonologia de uma segunda língua. Seus resultados indicam que o reconhecimento de novos contrastes fonéticos depende não apenas da exposição ao idioma, mas também de diferenças individuais na maneira como os sons são processados.

Os pesquisadores consideram que os resultados podem orientar novas estratégias de ensino de pronúncia, combinando exercícios linguísticos com atividades destinadas a desenvolver a percepção de diferenças acústicas.

Entre as possibilidades estão tarefas de discriminação de frequências, duração e outras propriedades sonoras, realizadas antes ou durante o treinamento de contrastes fonéticos específicos.

A equipe pretende desenvolver e avaliar métodos que integrem o treinamento auditivo geral ao ensino de línguas estrangeiras, considerando as características individuais dos estudantes.

Entretanto, a pesquisa não demonstrou diretamente que esse tipo de treinamento melhora a pronúncia. O trabalho examinou principalmente a percepção de sons e sua relação com a atividade cerebral, sem acompanhar longitudinalmente a evolução da produção oral dos participantes.

Além disso, os resultados foram obtidos com estudantes japoneses de inglês e com um contraste vocálico específico. Novas investigações serão necessárias para determinar em que medida as conclusões se aplicam a outras línguas, outros sons e diferentes perfis de estudantes

Fonte
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