Por Patrícia Pessoa
22/08/2025
Um pato pequeno de borracha, acessório multicolorido idealizado fora do universo literário, se tornou sensação em eventos como a Bienal do Rio, a Feira Pan-Amazônica do Livro em Belém, CCXP e Campus Party, viralizando nas redes sociais e gerando sensação de comunidade entre crianças, jovens e adultos, ainda que seu significado permaneça misterioso.
Em junho de 2025, os “patinhos literários” invadiram a cena da Bienal do Livro do Rio, realizada no Riocentro. Pequenos, com cerca de 5 cm, dotados de mola e presilha, eles passaram a adornar camisetas, mochilas, cabelos e sacolas — e, em muitos casos, chamaram mais atenção que os próprios livros. A demanda pelo acessório foi tão expressiva que alguns vendedores relataram ter comercializado milhares de unidades desde o início do evento. Entre os visitantes, a brincadeira que circulava nos corredores era de que vender pato estava rendendo mais do que vender livro.
O sucesso imediato foi atribuído a uma mistura de fofura e efeito de manada. Muitos decidiram comprar o acessório simplesmente porque todos os outros estavam usando, ou porque acharam o objeto divertido. Um exemplo foi o de jovens que relataram ter adquirido o pato mais por insistência de amigos do que por vontade própria. O clima de boas vibrações, reforçado pelo patinho, se espalhou e ajudou a criar um sentimento de pertencimento entre os frequentadores.
Influenciadores também abraçaram a tendência. A criadora de conteúdo Patrícia Lima, por exemplo, destacou que sua comunidade passou a se autodenominar “patinhos”. Para ela, o acessório representa uma conexão direta com sua audiência e facilita o engajamento com o público em grandes eventos.
Logo após o sucesso no Rio, o “pato literário” chegou à 28.ª Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes, em Belém. Lá, também foi destaque entre os frequentadores e se tornou símbolo afetivo do evento — uma lembrança tangível da identificação com a feira. A organização observou que, embora a origem da moda seja incerta, sua propagação se deveu sobretudo às redes sociais e à influência de eventos da cultura geek. Expositoras chegaram a adotar o patinho como mascote, relatando que ele agradou desde adolescentes até professores.
A feira, que reúne quase duas centenas de estandes de editoras, livrarias e distribuidoras, movimenta milhões em negócios. Nesse cenário, o patinho literário se consolidou como elemento lúdico e acessível, que humaniza e aproxima o público de um ambiente culturalmente rico e diverso.
A história do acessório ainda é envolta em mistério. Mais do que um símbolo tradicional, trata-se de um fenômeno de cultura pop, sustentado por mecanismos de viralização digital e marketing afetivo. Algumas versões sugerem que os patinhos foram inspirados em objetos distribuídos em eventos geek, como convenções de cultura pop e tecnologia. Outras hipóteses remetem a significados orientais ou a práticas de socialização em países europeus, onde patinhos serviriam para sinalizar abertura para conversas. Mas a explicação mais repetida e aceita é a mais simples: o patinho não significa nada — é apenas uma moda divertida.
Independentemente de sua origem, os impactos são claros: o objeto cria oportunidades de interação entre desconhecidos, transforma o visual dos eventos em algo mais colorido e afetivo e ajuda a impulsionar as vendas de expositores em tempos desafiadores para o mercado editorial. Seja para compradores impulsivos, famílias, criadores de conteúdo ou livreiros, o patinho trouxe algo a mais — um símbolo inesperado de união e leveza em meio às páginas.