Por Patrícia Pessoa
24/09/2026
O jornalista e escritor Zuenir Ventura morreu na terça-feira (22), aos 95 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia. Autor de 1968: O ano que não terminou e Cidade partida, ele teve mais de seis décadas de carreira na imprensa e integrava a Academia Brasileira de Letras desde 2015.
Nascido em 1º de junho de 1931, em Além Paraíba (MG), Zuenir Carlos Ventura mudou-se ainda criança para Nova Friburgo (RJ). Antes de se dedicar ao jornalismo, trabalhou como pintor de paredes, office-boy e arquivista. Formou-se em Letras Neolatinas e também foi professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).
Sua trajetória na imprensa começou em 1956. Ao longo de mais de seis décadas, trabalhou como repórter, editor, chefe de reportagem, diretor de redação e colunista, com passagens por veículos como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Globo e pelas revistas O Cruzeiro, Visão, Veja e IstoÉ.
Uma de suas obras mais conhecidas, 1968: O ano que não terminou, publicada em 1988, reconstrói acontecimentos políticos, sociais e culturais daquele ano, marcado no Brasil pelo endurecimento da ditadura militar e pela edição do AI-5. O livro tornou-se uma referência sobre o período e vendeu centenas de milhares de exemplares.
Outra obra de destaque é Cidade partida, livro-reportagem dedicado à violência e à desigualdade social no Rio de Janeiro. Para escrevê-lo, Ventura acompanhou de perto o cotidiano da favela de Vigário Geral após a chacina de 1993. A obra recebeu o Prêmio Jabuti de Reportagem.
Zuenir também transformou em livro uma das principais coberturas de sua carreira. Após o assassinato do líder seringueiro e ambientalista Chico Mendes, em 1988, viajou ao Acre e investigou o crime. A série de reportagens publicada no Jornal do Brasil recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog e deu origem posteriormente a Chico Mendes: crime e castigo.
Entre outros títulos, publicou Minhas histórias dos outros, Inveja: mal secreto, Crônicas de um fim de século, Conversa sobre o tempo, com Luis Fernando Verissimo, e o romance Sagrada Família. Sua produção aproximou reportagem, memória e literatura, frequentemente tomando episódios da história recente do país como ponto de partida.
Em 2014, Ventura foi eleito para a Cadeira nº 32 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Ariano Suassuna, e tomou posse em 2015. Foi o sétimo ocupante da cadeira, cujo patrono é Manuel de Araújo Porto-Alegre.
Além dos prêmios Esso, Vladimir Herzog e Jabuti, recebeu outros reconhecimentos pela carreira. Em 2008, foi apontado pela Organização das Nações Unidas como um dos cinco jornalistas brasileiros que mais haviam contribuído para a defesa dos direitos humanos nos anos anteriores.
Zuenir deixa a mulher, Mary Ventura, e os filhos Mauro e Elisa. O velório foi realizado na quarta-feira (23), na sede da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, e o sepultamento ocorreu no Cemitério São João Batista.
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