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#Notícias#Livro e Leitura

Livro e leitura têm espaço desigual nos planos dos presidenciáveis

Por Ronaldo Martins

14/09/2026

Entre seis candidatos à Presidência com mais de 1% nas pesquisas, quatro apresentam propostas específicas para ampliar o acesso a livros e à leitura, enquanto dois não mencionam o tema em seus programas. Levantamento da revista Quatro Cinco Um analisou os planos de Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, Renan Santos, Romeu Zema e Augusto Cury.

O levantamento ocorre em um momento de redução do número de leitores no país. Segundo a pesquisa Retratos da Leitura, 56% dos brasileiros eram considerados leitores em 2015; em 2024, eram 47%. Em nove anos, o Brasil perdeu cerca de 11 milhões de leitores. Ao mesmo tempo, a parcela que declarou usar a internet no tempo livre passou de 47% para 78%.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) propõe dar continuidade ao MEC Livros, plataforma com acervo de 25 mil títulos em português, espanhol e inglês. A campanha promete ampliar o catálogo e também acrescentar idiomas ao MEC Idiomas. Juntas, as duas ferramentas somam atualmente 1,3 milhão de usuários, segundo a candidatura.

Lula também prevê aprimorar o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), ampliando a distribuição de livros para estados e municípios, fortalecendo bibliotecas públicas e escolares, formando profissionais e agentes culturais e fomentando a cadeia produtiva do livro. O programa prevê ainda adaptar as políticas de leitura aos meios digitais.

Ronaldo Caiado (PSD) relaciona a redução do hábito de leitura a problemas como alfabetização tardia e baixo domínio do português. Entre suas propostas estão apoiar bibliotecas, cinemas, museus e centros culturais nas periferias, atualizar acervos, formar mediadores de leitura, apoiar autores, editoras e livrarias e garantir bibliotecas escolares e públicas conectadas.

Renan Santos (Missão) defende integrar programas de incentivo à leitura às políticas para o mercado editorial, incorporar mais fortemente a leitura ao currículo escolar e investir na formação artística dos alunos e na capacitação dos professores. Uma de suas propostas é criar fundos patrimoniais (endowments) para financiar instituições culturais, entre elas bibliotecas públicas, reduzindo sua dependência de renúncias fiscais.

O candidato com o maior número de propostas específicas é o escritor Augusto Cury (Avante). Seu programa prevê um projeto de incentivo à leitura que alcance, além de escolas e bibliotecas, igrejas, clubes esportivos e meios de comunicação. Cury propõe ainda um vale-livro para estudantes, válido para obras físicas ou digitais, ampliação de incentivos fiscais ao setor livreiro e campanhas para estimular a leitura em família. Também defende associar livros aos cuidados com a saúde mental e ampliar a educação midiática nas escolas.

Já os programas de Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) não apresentam propostas específicas para livros e leitura. Segundo a Quatro Cinco Um, as palavras “livros” e “leitura” não aparecem nas 76 páginas do plano de Flávio Bolsonaro, enquanto “livro” não é mencionado no programa de Zema. A revista informou ter procurado as duas campanhas, mas não recebeu respostas sobre eventuais propostas adicionais para o setor.

A discussão também envolve o acesso econômico aos livros. Dados citados pela reportagem indicam que 18% dos adultos brasileiros compraram pelo menos um livro em 2025, dois pontos percentuais acima de 2024, o equivalente a cerca de 3 milhões de novos consumidores. Já o preço médio do livro no país é de R$ 52, segundo o Sindicato Nacional dos Editores de Livros.

Entre as políticas federais atualmente existentes estão o PNLL, transformado em lei em 2018, e a Política Nacional de Leitura e Escrita (PNLE). O setor também depende fortemente das compras públicas: por meio de programas como o Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD), o governo é atualmente o maior comprador de livros do país.

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