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#Notícias#PISA#Avaliação

Pisa 2025: metade dos estudantes brasileiros não atinge nível básico de leitura

Por Ronaldo Martins

10/09/2026

O Brasil obteve 408 pontos em leitura no Pisa 2025, contra 461 na média dos países da OCDE, e ficou na 52ª posição entre 89 participantes com resultado nessa área. Apenas 49% dos estudantes brasileiros atingiram pelo menos o nível 2, considerado o patamar básico de proficiência. A avaliação envolveu 760 mil jovens de 15 anos em 91 países.

Os resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) 2025 mostram que o desempenho brasileiro em leitura permanece praticamente estagnado. Os 408 pontos representam dois a menos que os 410 de 2022, diferença sem significância estatística, e resultado praticamente igual aos 407 pontos registrados em 2015.

A distância em relação aos países mais desenvolvidos continua elevada: a média da OCDE foi de 461 pontos, 53 acima da brasileira. A média internacional, contudo, também caiu e atingiu em 2025 seu menor resultado em leitura desde o início do Pisa, em 2000.

No topo da avaliação aparece Singapura, com 535 pontos, 127 acima do Brasil. O conjunto formado por Pequim, Xangai, Jiangsu e Zhejiang, na China, chegou a 527. Na América Latina, o Brasil ficou atrás de Uruguai (445), Chile (442), Colômbia (414) e México (414), próximo do Peru (406) e acima de Argentina (393) e Paraguai (355).

A distribuição pelos níveis de proficiência mostra uma diferença ainda maior. Apenas 49% dos brasileiros alcançaram o nível 2 ou superior em leitura, ante 69% na média da OCDE. Assim, aproximadamente metade dos estudantes avaliados no país não demonstrou o patamar básico de competência leitora definido pelo Pisa. Nesse nível, o jovem deve conseguir, por exemplo, identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada e localizar informações a partir de critérios explícitos.

Nos níveis mais elevados, apenas 1% dos brasileiros chegou ao nível 5 ou superior, contra 6% na OCDE. Entre os estudantes do conjunto de regiões chinesas B-S-J-Z, 93% atingiram pelo menos o nível 2.

Apesar da estagnação recente, o Brasil reduziu no longo prazo parte da distância em relação aos países desenvolvidos. A diferença em leitura, que superava 100 pontos em 2006, está hoje pouco acima de 50. Essa aproximação resulta tanto da evolução brasileira ao longo do período quanto da queda recente registrada em diversos países da OCDE.

Nas demais áreas, o Brasil obteve 377 pontos em matemática e 409 em ciências. Os resultados nas três disciplinas ficaram estatisticamente estáveis em relação a 2022. Ciências foi o domínio principal da edição de 2025.

O Pisa não avalia uma série escolar específica, mas estudantes pela idade. Participam jovens entre 15 anos e 3 meses e 16 anos e 2 meses, desde que tenham completado pelo menos seis anos de escolarização. No Brasil, podem integrar a amostra alunos a partir do 7º ano do Ensino Fundamental, embora a maioria esteja no Ensino Médio.

Em todo o mundo, aproximadamente 760 mil estudantes de 91 países e economias fizeram a edição de 2025, representando cerca de 33 milhões de jovens. No Brasil, participaram 30.140 alunos de 1.053 escolas, amostra representativa de aproximadamente 2,2 milhões de estudantes de 15 anos. Entre os participantes brasileiros, 84,7% cursavam a 1ª ou a 2ª série do Ensino Médio.

As provas foram aplicadas no país entre abril e maio de 2025, sob coordenação do Inep. Realizada em computador, a avaliação prevê dois testes de uma hora, com diferentes combinações das áreas avaliadas, além de questionários sobre o contexto dos estudantes e das escolas.

A edição de 2025 também introduziu a avaliação de Aprendizagem no Mundo Digital, voltada à resolução de problemas com ferramentas computacionais. O Brasil não participou da avaliação opcional de inglês como língua estrangeira. A partir deste ciclo, o Pisa passa a ser realizado a cada quatro anos; a próxima edição está prevista para 2029.

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