Por Ronaldo Martins
01/09/2026
O Museu da Língua Portuguesa completa 20 anos em 2026 com uma programação que revisita sua trajetória e discute a diversidade do português. Entre os destaques está a exposição Luz da Língua, aberta em agosto na Estação da Luz, em São Paulo. Desde a inauguração, em 2006, a instituição já recebeu mais de 5,6 milhões de visitantes.
O Museu da Língua Portuguesa celebra 20 anos de funcionamento em 2026 com uma programação especial ao longo do ano. Inaugurada em 20 de março de 2006, na Estação da Luz, no centro de São Paulo, a instituição foi o primeiro museu brasileiro dedicado a um patrimônio imaterial e estruturado a partir de experiências interativas.
O principal destaque das comemorações no segundo semestre é a exposição temporária Luz da Língua, aberta em 22 de agosto. Com curadoria de Isa Grinspum Ferraz e assistência curatorial de Marcelo Macca, a mostra recupera as duas décadas de história do Museu por meio de documentos originais, fotografias, vídeos e materiais de seu acervo.
Uma linha do tempo apresenta desde a concepção do Museu, no início dos anos 2000, até sua atuação atual. O percurso inclui a inauguração em 2006, as primeiras exposições temporárias, o incêndio que atingiu a Estação da Luz em dezembro de 2015, o processo de reconstrução e a reabertura ao público em julho de 2021.
A exposição também apresenta uma instalação audiovisual de Leandro Lima, produzida com materiais do acervo. Entre os participantes dos registros exibidos estão a atriz e cantora Zahy Tentehar, o xamã yanomami Davi Kopenawa e o escritor português Valter Hugo Mãe. Outra área é destinada a jogos, oficinas, contações de histórias e atividades desenvolvidas pelos núcleos Educativo e de Articulação Social e pelo Centro de Referência do Museu.
A abertura de Luz da Língua integrou outra atividade comemorativa. Em 22 de agosto, o Museu e a Companhia das Letras promoveram um ciclo de debates sobre os 70 anos de Grande Sertão: Veredas, de João Guimarães Rosa. Participaram Milton Hatoum, Jeferson Tenório, Socorro Acioli, Heloisa Starling e Eduardo Giannetti. A escolha também remete à história da instituição: uma exposição dedicada ao romance de Guimarães Rosa foi a primeira mostra temporária realizada pelo Museu, em 2006.
As celebrações começaram em março, mês do aniversário, com sessões de cinema, sarau, visitas especiais, oficinas e um show de José Miguel Wisnik, Tiganá Santana e João Camarero, com participação de Zahy Tentehar. Em maio, o aniversário também integrou as comemorações do Dia Mundial da Língua Portuguesa, com atividades gratuitas que reuniram nomes como Dino D’Santiago, Letrux, José Eduardo Agualusa e Amara Moira.
Ao longo de duas décadas, o Museu realizou 24 exposições temporárias, dedicadas tanto a escritores e obras da literatura quanto à formação e à diversidade linguística do país. Entre elas estão mostras sobre Fernando Pessoa e Clarice Lispector e exposições como Nhe’ẽ Porã: Memória e Transformação, sobre línguas indígenas, e Línguas africanas que fazem o Brasil.
Desde 2006, mais de 5,6 milhões de pessoas já visitaram o Museu. A instituição é vinculada à Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e administrada pelo IDBrasil Cultura, Educação e Esporte.