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23ª Festa Literária Internacional do Paraty (FLIP) une profundidade e leveza da literatura

Por Sthefany Vogado

05/08/2025

A 23ª edição da Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) celebrou o legado do poeta Paulo Leminski entre 30 de julho e 3 de agosto de 2025. Com uma seleção de 36 autores na programação principal, o evento reuniu nomes como Arnaldo Antunes, Caetano Galindo, Gregorio Duvivier, Gaël Faye, Cristina Rivera Garza, Valter Hugo Mãe, Rosa Montero, Ricardo Araújo Pereira, Ilan Pappe, Giovana Madalosso, Astrid Roemer, Sandro Veronesi, Marina Silva, Neige Sinno, Liv Strömquist e GauZ', entre outros.

A Flip (Festa Literária Internacional do Paraty) reuniu grandes autores nacionais e internacionais, como Rosa Monteiro, Sandro Veronesi, e Ricardo Araújo Pereira, em uma programação que mesclou reflexão e leveza. Com plateias lotadas e um público estimado em 34 mil pessoas - 10% a mais que em 2024 -, o festival, que retomou sua data tradicional em julho, transformou as ruas de Paraty em um grande palco literário.

Sob curadoria de Ana Lima Cecilio, a 23ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) equilibrou temas urgentes — como o genocídio em Gaza, a crise climática e a violência doméstica — com o humor e o poder transformador da literatura. A curadora comparou essa oscilação entre densidade e descontração ao conceito de "Caprichos & Relaxos", título de uma obra do homenageado desta edição, Paulo Leminski.

O espírito leminskiano ecoou não só nas mesas dedicadas à poesia — com nomes como Alice Ruiz, Marília Garcia e Arnaldo Antunes — mas também no novo Palco Caprichos & Relaxos, espaço currado por Bruna Beber para performances poéticas. Antunes, que abriu o festival na noite de 30 de julho, mesclou leituras, manuscritos e música, emocionando o público ao cantar "Luzes", poema de Leminski que gravou em 1998.

Política, memória e resistência

A ministra Marina Silva destacou, em conversa com Aline Midlej, como as guerras comerciais de Donald Trump reforçam a necessidade de políticas ambientais. Sua fala ganhou contos emocionantes ao relembrar sua relação com a literatura de cordel na infância e ao abraçar Alessandra Sampaio, viúva do jornalista Dom Phillips, assassinado em 2022 no Vale do Javari.

Já o historiador israelense Ilan Pappe trouxe um debate incendiário sobre o conflito em Gaza, relacionando-o ao antissemitismo europeu e à criação do Estado de Israel. A curadora Ana Cecilio afirmou que incluir o tema era "imperativo" diante de um "genocídio em curso". Outro momento marcante foi a fala do rapper Gaël Faye, que comparou a situação em Gaza ao genocídio de Ruanda em 1994, tema de seu livro "Jacarandá".

Literatura como cura e riso

O português Valter Hugo Mãe surpreendeu ao transformar o luto em celebração. Em mesa sobre "Educação da Tristeza", seu livro mais recente, brincou com a plateia enquanto falava da perda do sobrinho e de amigos próximos: **"Meus mortos serão sempre felicidade em minha vida".

O humor também reinou com Gregorio Duvivier, que desmontou o português em "O Céu da Língua", e com o encontro entre o português Ricardo Araújo Pereira e o brasileiro Caetano W. Galindo, que riram de fake news, IA e dos absurdos do idioma.

Estrelas internacionais e o poder da palavra

A espanhola Rosa Montero, uma das autoras mais aguardadas, falou sobre literatura como antídoto contra a solidão, lotando auditórios e passando horas autografando livros. Já o italiano Sandro Veronesi debateu com Pedro Guerra a arte de transformar o cotidiano em ficção: "Faço autoimaginação, não autoficção", definiu.

Entre debates acalorados, performances poéticas e gargalhadas, a Flip 2024 reafirmou seu papel como espaço onde a literatura confronta, comove e liberta.

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