Por Ronaldo Martins
03/07/2026
A escritora portuguesa Lídia Jorge foi anunciada como a vencedora da 38ª edição do Prêmio Camões de Literatura. A decisão foi tomada por unanimidade durante uma reunião virtual do júri e divulgada pela Fundação Biblioteca Nacional do Brasil e pelo Ministério da Cultura de Portugal. Considerada a principal honraria da língua portuguesa, a distinção premia o conjunto da obra da autora com um valor de 100 mil euros e um diploma oficial assinado por chefes de Estado.
A escolha da romancista e contista portuguesa Lídia Jorge, de 80 anos, ocorreu após a deliberação de um júri internacional composto por seis especialistas de países lusófonos. O grupo foi formado pelos professores e pesquisadores José Carlos Seabra Pereira e Ana Mafalda Leite (Portugal); Lucia Santaella e José Ribamar Bessa Freire (Brasil); Lopito Feijó (Angola); e Odete Semedo (Guiné-Bissau). Na ata final, o júri destacou o "diversificado conjunto da sua obra e o grande contributo para o enriquecimento do patrimônio literário e cívico-cultural da língua portuguesa".
Nascida em Boliqueime, na região do Algarve, em 1946, Lídia Jorge formou-se em Filologia Românica pela Universidade de Lisboa e atuou como professora em Angola e Moçambique durante a Guerra Colonial Portuguesa (1961–1974), um período histórico que se tornou central na construção de sua produção ficcional.
Sua estreia ocorreu em 1979 com o romance O Dia dos Prodígios, considerado um marco de renovação na literatura portuguesa pós-Ditadura de Salazar. Posteriormente, consolidou sua relevância com obras como
A escrita de Lídia Jorge é caracterizada pela prosa poética densa e pela abordagem de temas como a condição feminina, a transição entre a sociedade tradicional e a pós-modernidade, os conflitos geracionais e a intervenção cívica — o que também a levou a exercer o cargo de Conselheira de Estado em Portugal.
O Prêmio Camões foi instituído em 1988 por meio de um acordo cultural assinado entre os governos do Brasil e de Portugal, com o objetivo de condecorar autores que contribuem para o patrimônio cultural comum do idioma. O subsídio financeiro de 100 mil euros (aproximadamente R$ 598 mil) é repartido e custeado anualmente de forma conjunta pela Fundação Biblioteca Nacional e pelo governo português. Lídia Jorge sucede a escritora angolana Ana Paula Tavares, vencedora da edição de 2025.