Por Patrícia Pessoa
19/06/2026
A Academia Brasileira de Letras (ABL) anunciou o escritor Cristóvão Tezza como o vencedor do Prêmio Machado de Assis de 2026, pelo conjunto de sua obra. A cerimônia de entrega da honraria está agendada para o dia 23 de julho, no Rio de Janeiro. O prêmio, um dos mais tradicionais da literatura brasileira, reconhece a trajetória do autor de mais de 20 obras de ficção e produções de não ficção.
A Academia Brasileira de Letras (ABL) confirmou a escolha do escritor e professor universitário Cristóvão Tezza como o agraciado com o Prêmio Machado de Assis de 2026. A distinção, concedida anualmente, coroa o conjunto da obra de autores que deram contribuições significativas à literatura brasileira. A entrega oficial do troféu ocorrerá no dia 23 de julho, na sede da instituição, localizada no Rio de Janeiro.
Nascido em Lages, Santa Catarina, em 1952, e radicado em Curitiba, Paraná, Cristóvão Tezza consolidou-se como um dos nomes centrais da literatura contemporânea no país. Ao longo de sua carreira, o autor publicou mais de duas dezenas de obras de ficção, transitando por romances, contos e novelas que frequentemente abordam dilemas existenciais, relações familiares e reflexões sobre a linguagem e a própria escrita.
Entre seus principais títulos de ficção destacados pela crítica ao longo das últimas décadas estão Trapo (1988), O Fantasma da Infância (1994), Breve Espaço entre Cor&Sombra (1998), O Professor (2014), A Tirania do Amor (2018), mas o ponto de maior projeção de sua bibliografia ocorreu com o lançamento do romance O Filho Eterno, publicado em 2007. A obra, de forte teor autobiográfico, narra a relação entre um pai e seu filho com síndrome de Down, explorando sentimentos de rejeição, aceitação e amadurecimento. O livro recebeu os principais prêmios literários do Brasil à época — incluindo o Prêmio Jabuti, o Prêmio APCA, o Prêmio Bravo! Prime de Cultura e o Prêmio Portugal Telecom de Literatura — além de ter sido finalista de premiações internacionais e traduzido para diversos idiomas. O impacto da narrativa resultou ainda em adaptações para o teatro e para o cinema, ampliando o alcance da história para o público audiovisual.
Além da produção ficcional, Tezza possui relevância na área de não ficção e no ensaísmo. Sua formação acadêmica — possui doutorado em Letras e atuou como professor de Língua Portuguesa na Universidade Federal do Paraná (UFPR) — reflete-se em ensaios sobre a teoria literária e a linguística, com destaque para seus estudos sobre o pensador russo Mikhail Bakhtin. No jornalismo e na literatura de formato curto, o escritor publicou duas antologias de crônicas, reunindo textos originalmente veiculados em jornais de grande circulação nacional, nos quais analisa o cotidiano brasileiro, a política e a cultura sob uma perspectiva analítica.
Criado em 1941, o Prêmio Machado de Assis é a honraria mais antiga e tradicional concedida pela Academia Brasileira de Letras. Diferente de outros prêmios que avaliam um livro específico lançado no ano anterior, o Machado de Assis homenageia um escritor pelo valor global de sua carreira e produção intelectual. O anúncio de Tezza como vencedor de 2026 insere o autor na lista de grandes nomes da história da literatura nacional já laureados pela ABL.
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