Por Ronaldo Martins
17/06/2025
Estudos reunidos em artigo publicado pela revista Undark indicam que a comunicação entre primatas apresenta níveis surpreendentes de sofisticação. Ainda assim, permanece o impasse sobre até que ponto essas vocalizações se aproximam da linguagem humana.
O interesse pelo tema remonta a 1916, quando começaram os primeiros experimentos com primatas em ambientes controlados. Desde então, chimpanzés, bonobos e macacos-vervet foram estudados em detalhes. Os pesquisadores observaram, por exemplo, que macacos-vervet emitem diferentes sons de alarme conforme o tipo de predador: uma vocalização específica para águias, outra para leopardos e uma terceira para cobras. Essas variações provocam comportamentos distintos nos grupos — como subir em árvores ou se esconder no chão — indicando que os sons são compreendidos de maneira contextual.
Nos últimos anos, experimentos mais refinados buscaram entender se os primatas são capazes de combinar sons de maneira significativa, o que indicaria o uso de estruturas similares à sintaxe. Alguns resultados sugerem que há uma organização nos chamados, com combinações capazes de alterar o significado da mensagem. No entanto, os cientistas ainda não encontraram evidências robustas de que esses animais usem regras gramaticais como os humanos fazem.
Especialistas entrevistados no artigo destacam que, embora os primatas demonstrem intencionalidade e uso funcional dos sons, a flexibilidade, criatividade e complexidade das línguas humanas ainda não têm paralelo no reino animal. A linguagem humana é caracterizada por sua capacidade de criar frases infinitamente variadas com base em um número limitado de elementos, algo que não se observa na comunicação dos macacos.
Mesmo assim, os avanços na área estão redefinindo o que se entende por linguagem e ampliando o debate sobre a evolução da comunicação. Os cientistas seguem investigando, com métodos cada vez mais precisos, o que os sons dos macacos podem revelar sobre as origens da linguagem humana.