Análise de discurso
A Análise de Discurso de linha francesa (AD) constitui uma disciplina de entremeio que emerge na França no final da década de 1960, articulando saberes da Linguística, do Materialismo Histórico e da Psicanálise. Seus principais fundadores e expoentes são Michel Pêcheux (1938-1983), filósofo e linguista que sistematizou a teoria do discurso, e Michel Foucault (1926-1984), cujas reflexões sobre as formações discursivas e as relações saber-poder forneceram bases epistemológicas incontornáveis. No Brasil, a partir dos anos 1980, Eni Orlandi (1942-) foi responsável por implantar e consolidar a AD, desenvolvendo conceitos como os de paráfrase, polissemia, silenciamento e autoria. Já Dominique Maingueneau (1950-) renovou o campo ao propor uma análise do discurso voltada à cena enunciativa, à interdiscursividade e à polêmica, articulando as heranças pecheutiana e foucaultiana.
A especificidade da AD francesa reside em uma ruptura radical com as concepções imanentistas da linguagem. A língua deixa de ser pensada como sistema formal e transparente, o sujeito abandona a ilusão de fonte originária do dizer, e o texto perde a suposta unidade de sentido. Em vez disso, a AD se dedica a compreender como os sentidos se produzem, levando em conta a inscrição histórica, a materialidade ideológica e a determinação do sujeito pela língua e pelo inconsciente. O foco não está no que o texto “quer dizer”, mas nos processos discursivos que tornam certos enunciados possíveis e necessários em uma formação social determinada.
O objetivo deste texto é apresentar, de maneira ampliada e didática, os conceitos centrais dessa corrente, articulando as contribuições de seus principais teóricos e oferecendo exemplos de análise que evidenciem o funcionamento da teoria.
Como se produz o “sentido”? Efeito de sentido e opacidade da linguagem[editar]
A AD francesa recusa a noção de que as palavras possuem um sentido literal, unívoco e imanente, depositado nelas como uma essência. Em lugar disso, afirma que não há sentido a priori, mas apenas efeitos de sentido produzidos em condições históricas e ideológicas específicas.
Para Pêcheux (1997), o sentido de uma palavra, de uma expressão ou de uma proposição não existe “em si mesmo”, mas é determinado pelas posições ideológicas postas em jogo no processo sócio-histórico em que são produzidas. O mesmo enunciado pode produzir efeitos de sentido radicalmente diferentes conforme a formação discursiva (FD) que o acolhe. Assim, os sentidos não estão no texto, mas são construídos no e pelo discurso, isto é, na relação da língua com a história e a ideologia.
Essa concepção está intimamente ligada ao princípio da opacidade da linguagem. Diferentemente da ilusão da transparência — que supõe uma relação direta e natural entre palavra, pensamento e mundo —, a AD insiste que a língua é opaca, sujeita a falhas, equívocos e deslizamentos. O sentido literal é apenas um efeito ideológico particular: a ilusão de que há um sentido único e evidente mascara a luta de classes na linguagem.
Exemplo preliminar: A palavra “trabalhador”. Em uma FD patronal, pode remeter a “custo”, “encargo”, “capital humano”. Em uma FD sindical combativa, pode remeter a “classe”, “exploração”, “força produtiva”. Em uma FD neoliberal contemporânea, pode ser substituída por “colaborador”, produzindo o efeito de apagamento do conflito capital-trabalho. O “mesmo” referente se desloca conforme a FD, e nenhuma dessas acepções é o sentido “verdadeiro”: todos são efeitos.
Discurso: acontecimento, condições de produção e formações discursivas[editar]
O discurso como evento histórico[editar]
A AD francesa distingue radicalmente discurso e texto/oralização. O discurso é a língua em funcionamento, posta em ato em condições de produção específicas. Ele não é uma estrutura abstrata, mas um acontecimento histórico singular. Segundo Foucault (2008, p. 31), o discurso é um “conjunto de enunciados que se apoia em um mesmo sistema de formação”. Cada enunciação efetiva é uma irrupção que, mesmo repetindo fórmulas já ditas, faz funcionar de novo a memória discursiva e pode deslocar sentidos.
Pêcheux (2002) insiste que o discurso é sempre um “acontecimento estrutural”, ponto de encontro entre a estrutura (a língua, as FDs, a ideologia) e o acontecimento (a enunciação situada). Isso significa que um discurso é irredutível à frase ou ao texto empírico; é um processo cuja análise exige a reconstrução das condições históricas, institucionais e ideológicas que o tornaram possível.
Condições de produção do discurso[editar]
As condições de produção constituem o entorno sócio-histórico e institucional do discurso. Elas abarcam:
- O contexto imediato (situação comunicativa, interlocutores, suporte material, gênero);
- O contexto amplo (conjuntura política, relações de classe, aparelhos ideológicos de Estado);
- As antecipações das formações imaginárias: os sujeitos ocupam lugares representados (professor, governante, jornalista, pai) e projetam imagens de si, do destinatário e do referente. Essas imagens regulam o que pode e deve ser dito.
Orlandi (2009) sintetiza que as condições de produção incluem a memória discursiva (o interdiscurso) e a situação, e que a análise do discurso visa justamente relacionar o dito com o não dito, o silenciado, o repetível.
Formação discursiva (FD)[editar]
O conceito de formação discursiva foi formulado por Foucault (2008) e reelaborado por Pêcheux como aquilo que, em uma formação ideológica dada, “determina o que pode e deve ser dito” (PÊCHEUX, 1997, p. 160). A FD é um conjunto de regras anônimas, históricas, sempre determinadas no tempo e no espaço, que definem os objetos de que se pode falar, os tipos de enunciação permitidos, as posições de sujeito legítimas e as estratégias argumentativas autorizadas.
Cada FD é atravessada por saberes, conceitos e temas que mantêm entre si relações de aliança, oposição, fronteira ou polêmica. Um mesmo signo pode ter sentidos opostos em FDs diferentes. A FD é, portanto, a matriz do sentido: é no interior dela que as palavras “recebem” seu sentido (efeito de sentido), e mudar de FD é mudar o sentido das mesmas palavras.
Memória discursiva (interdiscurso)[editar]
A memória discursiva, ou interdiscurso, é o “já-dito” que sustenta todo dizer atual. Trata-se do conjunto de formulações já enunciadas e esquecidas que retornam sob a forma de pré-construídos e discursos transversos. Pêcheux (1999) designa o interdiscurso como o “todo complexo com dominante” das formações discursivas, ou seja, o exterior constitutivo que determina o que é enunciável.
O interdiscurso fornece os elementos de saber (proposições, evidências, jargões, enunciados genéricos) que parecem “naturais” ao sujeito. Dizer “a mulher é naturalmente mais emotiva”, por exemplo, retoma um já-dito de longa duração que naturaliza relações de gênero, sem que o sujeito tenha consciência da memória que o constitui. A análise do discurso deve, portanto, desnaturalizar o óbvio, mostrando como o interdiscurso fala no fio do intradiscurso (o discurso efetivamente pronunciado).
O discurso como materialidade da ideologia[editar]
Para a AD pecheutiana, fortemente apoiada em Althusser, a ideologia não é um conjunto de ideias falsas ou uma “visão de mundo” das classes dominantes; ela é a relação imaginária dos indivíduos com suas condições reais de existência, materializada nos aparelhos e nas práticas. O discurso é a materialidade específica da ideologia. Não há ideologia sem discurso, nem discurso isento de ideologia.
A ideologia, por meio das formações discursivas, interpela os indivíduos em sujeitos (assujeitamento), produzindo as evidências que fazem com que um enunciado seja “óbvio” ou “natural”. A luta ideológica é, também, luta discursiva: deslocar sentidos, ocupar FDs adversárias, fazer circular formulações novas são modos de intervir na luta de classes.
Língua: materialidade do discurso, opacidade e historicidade[editar]
A língua como materialidade do discurso[editar]
A AD não nega a existência do sistema linguístico; reconhece que a língua possui uma ordem própria (fonologia, morfossintaxe, semântica) que é relativamente autônoma. No entanto, essa ordem é investida pelo discurso, que a faz funcionar. A língua é a base material do discurso, o lugar onde a ideologia se realiza linguisticamente.
Segundo Pêcheux (1997), a língua fornece ao discurso as marcas formais (sintáticas, lexicais, prosódicas) que, na análise, funcionam como pistas dos processos discursivos. A análise não interpreta o texto, mas trabalha essas marcas para remeter o intradiscurso ao interdiscurso, revelando as determinações históricas e ideológicas.
A não transparência da língua[editar]
A AD francesa opõe-se radicalmente à ilusão de que a língua é transparente, isto é, de que há uma relação direta e unívoca entre palavra e conceito, entre significante e significado. A língua é constitutivamente equívoca, sujeita a ambiguidades, homonímias, lapsos e deslizamentos. O equívoco não é um acidente, mas a condição de funcionamento da língua na história.
Essa opacidade torna impossível fixar um sentido único. O trabalho do analista de discurso é justamente desfazer a ilusão de transparência, mostrando que o mesmo texto pode ser lido de maneiras radicalmente diferentes, conforme as FDs que o leitor ou o analista mobilizam.
A língua como produto histórico[editar]
Para a AD, a língua não é um sistema abstrato e imutável, mas um produto histórico, afetado pelas relações sociais e pelas lutas ideológicas. As mudanças linguísticas não decorrem apenas de leis internas, mas de contradições sociais que se inscrevem na materialidade da língua. Os dicionários, as gramáticas e os instrumentos normativos são, eles próprios, discursos que buscam estabilizar certos sentidos em detrimento de outros, participando da luta de classes.
Sujeito: assujeitamento, interpelação e posição-sujeito[editar]
O sujeito constituído no discurso[editar]
A AD rompe com a concepção humanista de um sujeito livre, consciente e fonte do seu dizer. Para Pêcheux (1997), retomando Althusser, o sujeito é constituído no discurso por meio do mecanismo de assujeitamento: a ideologia interpela os indivíduos concretos em sujeitos, fazendo-os reconhecer-se como “eu” e como origem do sentido, quando na verdade são efeitos de estruturas discursivas e ideológicas que os antecedem.
Há uma ilusão subjetiva fundamental: o sujeito acredita ser a fonte do que diz, mas o que ele enuncia é, em grande medida, o retorno de um já-dito, de pré-construídos e discursos transversos que circulam na formação social. A forma-sujeito é, portanto, uma forma histórica e ideológica, própria das sociedades ocidentais modernas, que oculta a determinação do indivíduo pelo interdiscurso.
Interpelação ideológica[editar]
A interpelação é o mecanismo pelo qual a ideologia “recruta” os indivíduos, transformando-os em sujeitos. Segundo Althusser e Pêcheux, a interpelação funciona através de rituais discursivos: o nome próprio, o pronome “eu”, as formas de tratamento, os jargões profissionais e as evidências do senso comum são modos de subjetivação que fazem o indivíduo se identificar com certas FDs e se reconhecer como sujeito delas.
A interpelação é sempre também um processo de esquecimento: o sujeito esquece (ou recalca) que os sentidos são determinados historicamente e que ele ocupa uma posição sujeito, não uma subjetividade soberana. Pêcheux distingue dois esquecimentos: o esquecimento nº 2, da ordem da enunciação (seleção de certas palavras e não de outras), e o esquecimento nº 1, ideológico, pelo qual o sujeito apaga o modo como é determinado pelo interdiscurso e se crê origem do sentido.
Posição-sujeito[editar]
O que um sujeito diz não decorre de sua psicologia individual, mas da posição-sujeito que ocupa em uma FD. A FD delimita um feixe de posições-sujeito legítimas: em uma FD religiosa, o fiel, o padre, o teólogo ocupam posições distintas, com modos de dizer regulados. Essas posições são relacionais, definem-se umas em relação às outras, e um mesmo indivíduo empírico pode migrar de posição-sujeito conforme o discurso que enuncia (um professor universitário pode falar da posição-sujeito docente, da posição-sujeito sindicalista, da posição-sujeito pai, etc.).
Maingueneau (2008) acrescenta que a análise deve considerar as “cenas da enunciação”, articulando a cena englobante (tipo de discurso), a cena genérica (gênero) e a cenografia (a cena que o próprio discurso instaura). A posição-sujeito se encena e se valida nessas cenas, que não são simples molduras externas, mas constitutivas do que é dito.
Exemplos integrados de análise[editar]
Para ilustrar o funcionamento dos conceitos, propomos duas análises que mobilizam a caixa de ferramentas da AD francesa.
Análise 1: Discurso midiático sobre a reforma da previdência[editar]
Enunciado: Manchete do jornal Correio do Povo (fictício, para fins didáticos): “Reforma da Previdência é inevitável para garantir o futuro do país”.
- Condições de produção: Jornal de grande circulação, editoria de economia, linha editorial liberal-conservadora. Destinam-se leitores genéricos, mas principalmente formadores de opinião e classes médias urbanas. A situação imediata é o debate legislativo sobre a reforma; o contexto amplo é a crise fiscal brasileira e as pressões do mercado financeiro.
- Formação discursiva dominante: FD neoliberal. No interior dessa FD, palavras como “reforma” são positivas (modernização), “inevitável” apaga a possibilidade de alternativas (efeito de naturalidade) e “futuro do país” evoca um futuro idealizado de estabilidade e crescimento, que depende da reforma.
- Efeito de sentido: A “inevitabilidade” produz um efeito de evidência: não há escolha, logo, a oposição é irracional. A manchete silencia as vozes contrárias, os custos sociais da reforma e os interesses de classe em jogo, inscrevendo-se em uma FD que toma o ajuste fiscal como imperativo técnico e não político.
- Memória discursiva / Interdiscurso: O enunciado mobiliza o já-dito da crise como argumento de autoridade: “inevitável” retoma discursos de austeridade que circulam desde os anos 1990 na América Latina. “Garantir o futuro do país” ecoa um discurso patriótico-desenvolvimentista, mas agora alinhado à lógica financeira. A reforma é apresentada como “sacrifício necessário”, pré-construído que apaga a desigualdade de quem sacrifica.
- Língua e opacidade: O adjetivo “inevitável” mascara a decisão política; a nominalização “reforma” apaga o agente (quem reforma? para quem? contra quem?). A sintaxe é assertiva, fechada, sem modalizações que denotariam dúvida ou debate.
- Sujeito e posição-sujeito: O jornalista não fala “como indivíduo”, mas da posição-sujeito autorizada pela empresa jornalística e pela FD neoliberal. O sujeito é assujeitado à lógica editorial, que antecipa as formações imaginárias do leitor “cidadão preocupado com o país” e o convoca a identificar-se com o “nós” implícito que aprova a reforma. A ilusão subjetiva faz com que o jornalista se veja como mero informante neutro.
Análise 2: Pronunciamento de posse presidencial[editar]
Enunciado: Excerto (ficcional, baseado em padrões reais): “Assumo a Presidência da República neste momento de desafios. Convoco todas as brasileiras e brasileiros a unir-se em torno de um projeto de reconstrução nacional. Não há lugar para discórdia quando o bem comum está em jogo.”
- Condições de produção: Cerimônia de posse, cadeia de rádio e TV, auditório composto de parlamentares, autoridades e representantes da sociedade civil. O gênero “pronunciamento de posse” é um ritual de instituição do novo governante.
- Formação discursiva: FD da unidade nacional, que é transversal a diferentes momentos históricos, mas que aqui se combina com um discurso conciliatório após eleições polarizadas.
- Efeito de sentido: O imperativo “convoco” e o verbo “unir-se” produzem o efeito de liderança que transcende as divisões. “Não há lugar para discórdia” exclui a oposição, que é implicitamente desqualificada como “discórdia” (associada a desagregação), em oposição ao “bem comum”, significante que ressoa o discurso religioso e republicano clássico. O efeito é de um chamado à comunhão nacional.
- Interdiscurso: A memória discursiva da “reconstrução nacional” remete a discursos pós-crise (pós-guerra, pós-ditadura), nos quais a nação é comparada a um edifício que precisa ser reerguido. “Bem comum” ecoa a doutrina social da Igreja e a tradição republicana, esvaziando as clivagens de classe. “Brasileiras e brasileiros” é uma fórmula de gênero que, ao mesmo tempo, se apresenta como inclusiva e institui um coletivo homogêneo.
- Língua e historicidade: A primeira pessoa do singular (“assumo”) rapidamente se desloca para a primeira do plural implícita (“convoco” prepara o “nós”). A oposição entre “discórdia” e “bem comum” estrutura todo o enunciado, mostrando que a língua não é neutra: ela é trabalhada para apagar o conflito político constitutivo.
- Sujeito e posição-sujeito: O presidente eleito enuncia da posição-sujeito de chefe de Estado, posição que exige apagar as marcas de partido e de campanha. Ao mesmo tempo, ele se dirige a um auditório representado imaginariamente como “povo” homogêneo. A interpelação dos ouvintes como “brasileiras e brasileiros” os convoca a assumir a posição-sujeito de cidadãos unidos, silenciando as diferenças de classe, raça e gênero que a AD deve evidenciar.
Referências Bibliográficas[editar]
- ALTHUSSER, Louis. Ideologia e aparelhos ideológicos de Estado. In: ŽIŽEK, Slavoj (org.). Um mapa da ideologia. Rio de Janeiro: Contraponto, 1996.
- FOUCAULT, Michel. A arqueologia do saber. 7. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2008.
- MAINGUENEAU, Dominique. Gênese dos discursos. Curitiba: Criar, 2005.
- MAINGUENEAU, Dominique. Cenas da enunciação. São Paulo: Parábola, 2008.
- ORLANDI, Eni Puccinelli. Análise de Discurso: princípios e procedimentos. 8. ed. Campinas: Pontes, 2009.
- ORLANDI, Eni Puccinelli. As formas do silêncio: no movimento dos sentidos. 6. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 2007.
- PÊCHEUX, Michel. Semântica e discurso: uma crítica à afirmação do óbvio. 3. ed. Campinas: Editora da Unicamp, 1997.
- PÊCHEUX, Michel. O discurso: estrutura ou acontecimento. 5. ed. Campinas: Pontes, 2002.
- PÊCHEUX, Michel. Papel da memória. In: ACHARD, Pierre et al. Papel da memória. Campinas: Pontes, 1999.
Nota sobre a articulação teórica[editar]
Michel Pêcheux desenvolveu sua teoria do discurso em intenso diálogo com Louis Althusser, com a linguística saussuriana e com a psicanálise lacaniana. Sua obra é central para a AD francesa, mas foi complementada e deslocada por pesquisadores como Dominique Maingueneau, que enfatizam a enunciação, a interdiscursividade e a polêmica, e Eni Orlandi, que introduziu a AD no Brasil com ênfase na especificidade da formação social brasileira e na relação entre língua, história e memória. As formulações de Foucault, por sua vez, forneceram a base para a compreensão das formações discursivas como regimes de produção de saber e poder, influenciando profundamente toda a análise discursiva contemporânea.