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	<title>Gerativismo - Histórico de revisão</title>
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	<subtitle>Histórico de revisões para esta página neste wiki</subtitle>
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		<title>Ronaldotmartins: Criou página com &#039;Na segunda metade do século XX, a linguística passou por uma profunda virada paradigmática, frequentemente denominada pela Historiografia Linguística como a &quot;Revolução Gerativista&quot;. Até o final da década de 1950, a ciência da linguagem na América era dominada pelo Distribucionalismo de base behaviorista (proposto por Leonard Bloomfield), que limitava a análise linguística à descrição empírica de um &#039;&#039;corpus&#039;&#039; fixo de enunciados reais e observáveis.  Em 1...&#039;</title>
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		<updated>2026-07-02T14:02:49Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Criou página com &amp;#039;Na segunda metade do século XX, a linguística passou por uma profunda virada paradigmática, frequentemente denominada pela Historiografia Linguística como a &amp;quot;Revolução Gerativista&amp;quot;. Até o final da década de 1950, a ciência da linguagem na América era dominada pelo Distribucionalismo de base behaviorista (proposto por Leonard Bloomfield), que limitava a análise linguística à descrição empírica de um &amp;#039;&amp;#039;corpus&amp;#039;&amp;#039; fixo de enunciados reais e observáveis.  Em 1...&amp;#039;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;Página nova&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;Na segunda metade do século XX, a linguística passou por uma profunda virada paradigmática, frequentemente denominada pela Historiografia Linguística como a &amp;quot;Revolução Gerativista&amp;quot;. Até o final da década de 1950, a ciência da linguagem na América era dominada pelo Distribucionalismo de base behaviorista (proposto por Leonard Bloomfield), que limitava a análise linguística à descrição empírica de um &amp;#039;&amp;#039;corpus&amp;#039;&amp;#039; fixo de enunciados reais e observáveis.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Em 1957, com a publicação de &amp;#039;&amp;#039;Syntactic Structures&amp;#039;&amp;#039; (Estruturas Sintáticas), e consolidando-se em 1965 com &amp;#039;&amp;#039;Aspects of the Theory of Syntax&amp;#039;&amp;#039; (Aspectos da Teoria da Sintaxe), o linguista estadunidense &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Noam Chomsky (1928-)&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; rompeu drasticamente com esse modelo. Chomsky deslocou o foco da linguística do comportamento exteriorizado para a capacidade cognitiva interna do falante, inaugurando o &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Gerativismo&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== O Problema de Chomsky: A Criatividade Linguística ==&lt;br /&gt;
A grande questão que norteia a teoria chomskyana e que o distribucionalismo behaviorista não conseguia responder de forma satisfatória é: &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&amp;quot;Como conseguimos entender e produzir sentenças que nunca produzimos ou ouvimos antes?&amp;quot;&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para Chomsky, a linguagem humana possui uma natureza essencialmente criativa. Uma criança exposta a uma quantidade finita de estímulos linguísticos (muitas vezes fragmentados e incompletos) é capaz de internalizar um sistema de regras que a permite gerar e compreender um número infinito de novas sentenças. Esse fenômeno demonstra que o aprendizado da língua não se dá por mera imitação, hábito ou memorização de um &amp;#039;&amp;#039;corpus&amp;#039;&amp;#039;, mas sim por um processo cognitivo ativo de reconstrução de regras.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fundamentos Teóricos do Gerativismo ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Competência x Performance ===&lt;br /&gt;
Para explicar essa dicotomia entre o conhecimento abstrato e o uso real da língua, Chomsky propõe uma distinção fundamental:&lt;br /&gt;
* &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Competência Linguística:&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; É o conhecimento implícito e idealizado que o falante-ouvinte nativo tem de sua própria língua. Trata-se do sistema interno de regras que o permite julgar se uma sentença é gramatical (aceitável na língua) ou agramatical. É o objeto de estudo central da linguística gerativa.&lt;br /&gt;
* &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Performance (Desempenho):&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; É o uso concreto e real da língua em situações comunicativas cotidianas. A performance é afetada por fatores não linguísticos, como lapsos de memória, cansaço, distrações, pigarros e hesitações, não refletindo perfeitamente a competência subjacente do indivídue.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Gramática Universal (GU) ===&lt;br /&gt;
Diante da rapidez com que as crianças adquirem sua língua materna (problema conhecido como &amp;quot;A Pobreza do Estímulo&amp;quot;), Chomsky postulou a existência da &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Gramática Universal (GU)&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;. A GU é uma faculdade da linguagem inata, isto é, um componente genético próprio da espécie humana que contém os princípios biológicos comuns a todas as línguas humanas. Ao nascer, a mente da criança possui um conjunto de &amp;quot;parâmetros&amp;quot; abertos que são fixados (ativados) de acordo com os dados linguísticos da comunidade em que ela está inserida (seja português, japonês, guarani, etc.).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Estrutura Profunda x Estrutura Superficial ===&lt;br /&gt;
Um dos conceitos mais célebres do modelo gerativo inicial (Teoria Padrão) diferencia a organização mental de uma sentença de sua realização fonética:&lt;br /&gt;
* &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Estrutura Profunda:&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; É o nível abstrato da organização sintática na mente do falante, onde as relações semânticas básicas e os papeis temáticos são definidos (quem faz a ação, quem sofre a ação, etc.).&lt;br /&gt;
* &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Estrutura Superficial:&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; É a organização sintática final da sentença, tal como ela é efetivamente pronunciada ou escrita, após passar pelas operações de movimento e transformação.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Gramática Gerativo-Transformacional ===&lt;br /&gt;
O modelo teórico recebeu esse nome porque postula que a sintaxe opera por meio de um sistema de regras que &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;geram&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; as estruturas básicas e de regras &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;transformacionais&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; que modificam essas estruturas. As transformações são operações mentais que movem, inserem ou deletam elementos, mapeando a Estrutura Profunda na Estrutura Superficial correspondente.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Exemplos de Análise Gerativa ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exemplo 1: Ambiguidade Estrutural ===&lt;br /&gt;
O distribucionalismo tinha dificuldades para explicar sentenças idênticas na superfície, mas com sentidos diferentes. O gerativismo resolve isso demonstrando que uma única Estrutura Superficial pode derivar de duas Estruturas Profundas distintas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Sentença Superficial:&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; &amp;#039;&amp;#039;&amp;quot;O guarda viu o ladrão com o binóculo.&amp;quot;&amp;#039;&amp;#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Esta frase possui dois sentidos possíveis (ambiguidade sintática):&lt;br /&gt;
# &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Sentido A (O guarda usou o binóculo):&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; Na Estrutura Profunda, o constituinte [com o binóculo] está ligado diretamente ao Sintagma Verbal, modificando a ação de ver.&lt;br /&gt;
# &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Sentido B (O ladrão carregava o binóculo):&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; Na Estrutura Profunda, o constituinte [com o binóculo] está dentro do Sintagma Nominal do objeto, modificando diretamente o substantivo &amp;quot;ladrão&amp;quot;.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Exemplo 2: Operações Transformacionais (Voz Ativa vs. Voz Passiva) ===&lt;br /&gt;
A análise gerativa demonstra que frases semanticamente equivalentes na superfície compartilham a mesma representação profunda, mas sofreram regras transformacionais de movimento diferentes.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
* &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Frase 1 (Ativa):&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; &amp;#039;&amp;#039;&amp;quot;O gato caçou o rato.&amp;quot;&amp;#039;&amp;#039;&lt;br /&gt;
* &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Frase 2 (Passiva):&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039; &amp;#039;&amp;#039;&amp;quot;O rato foi caçado pelo gato.&amp;quot;&amp;#039;&amp;#039;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Na &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Estrutura Profunda&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;, ambas as sentenças partem da mesma configuração conceitual subjacente (onde &amp;quot;O gato&amp;quot; é o agente e &amp;quot;o rato&amp;quot; é o paciente). Para gerar a Frase 2, aplica-se uma &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;regra transformacional de passivização&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;, que move o objeto (&amp;quot;o rato&amp;quot;) para a posição de sujeito na &amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;Estrutura Superficial&amp;#039;&amp;#039;&amp;#039;, insere o verbo auxiliar (&amp;quot;foi&amp;quot;) e desloca o sujeito original para o final da sentença precedido de preposição.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Considerações Finais ==&lt;br /&gt;
A linguística chomskyana provocou uma ruptura metodológica com o empirismo e inseriu o estudo da linguagem no campo das ciências cognitivas e da psicologia da mente. Embora o modelo tenha sofrido evoluções e reformulações drásticas pelo próprio Chomsky ao longo das décadas (como o Modelo de Regência e Vinculação e, posteriormente, o Programa Minimalista), os conceitos de inatismo, criatividade e representação mental profunda permanecem como marcos divisores de águas na história das ciências humanas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
== Fontes e Referências Bibliográficas ==&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Fontes Primárias ===&lt;br /&gt;
* CHOMSKY, Noam. &amp;#039;&amp;#039;Syntactic Structures&amp;#039;&amp;#039;. The Hague: Mouton, 1957.&lt;br /&gt;
* CHOMSKY, Noam. &amp;#039;&amp;#039;Aspects of the Theory of Syntax&amp;#039;&amp;#039;. Cambridge, MA: MIT Press, 1965.&lt;br /&gt;
* CHOMSKY, Noam. &amp;#039;&amp;#039;Linguagem e Mente&amp;#039;&amp;#039;. Brasília: Editora UnB, 1998.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
=== Referências Secundárias (Leituras Recomendadas) ===&lt;br /&gt;
* FIORIN, José Luiz (Org.). &amp;#039;&amp;#039;Introdução à Linguística: I. Objetos teóricos&amp;#039;&amp;#039;. São Paulo: Contexto, 2019. (Capítulo sobre o Gerativismo).&lt;br /&gt;
* KENEDY, Eduardo. &amp;#039;&amp;#039;Gerativismo&amp;#039;&amp;#039;. In: MARTELOTTA, Mário Eduardo (Org.). &amp;#039;&amp;#039;Manual de Linguística&amp;#039;&amp;#039;. São Paulo: Contexto, 2008.&lt;br /&gt;
* LYONS, John. &amp;#039;&amp;#039;As Idéias de Chomsky&amp;#039;&amp;#039;. São Paulo: Cultrix, 1975.&lt;br /&gt;
* MUSSALIM, Fernanda; BENTES, Anna Christina (Orgs.). &amp;#039;&amp;#039;Introdução à Linguística: domínios e fronteiras&amp;#039;&amp;#039;. Vol. 1. São Paulo: Cortez, 2001.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
[[Categoria:Linguística]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:História da Linguística]]&lt;br /&gt;
[[Categoria:Recentes]]&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Ronaldotmartins</name></author>
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