Aos mesmos padres hóspedes entre os quais vinha o padre Perico, que era pequenino GREGóRIO DE MATOS (1850) Gregório de Matos (1636–1696), expoente do Barroco brasileiro, destacou-se pela sátira irreverente aos vícios sociais e ao clero da colônia. Em “Aos mesmos padres hóspedes…”, ridiculariza religiosos visitantes — entre eles o “padre Perico” — explorando caricatura e humor mordaz. O poema circulou manuscrito no século XVII e foi publicado em livro no Rio de Janeiro, em 1850. Vieram Sacerdotes dois e meio Para a casa do grande sacerdote, Dous e meio couberam em um bote, Notável carga foi para o granjeiro. O barco, e o Arrais, que ia no meio, Tanto que em terra pôs um, e outro zote, Se foi buscar a vida a todo o trote, Deixando a carga, o susto, e o recreio. Assustei-me em ver tanta clerezia, Que como o trago enfermo de remela, Cuidei, vinham rezar-me a agonia. Porém ao pôr da mesa, e postos nela, Entendi, que vieram da Bahia Não mais que por papar a cabidela.