Os Semeadores MACHADO DE ASSIS (1875) Machado de Assis (1839–1908) é o autor de “Os Semeadores”, poema do livro Americanas, no qual reflete sobre a formação histórica e moral do Brasil. O texto associa imagens do trabalho e da semeadura à ideia de herança cultural e construção coletiva do futuro, articulando lirismo, crítica histórica e sentido simbólico do progresso humano.  Eis aí saiu o que semeia a semear.   MATH. XIII, 3   ( Século XVI) Vós os que hoje colheis, por esses campos largos,O doce fruto e a flor,Acaso esquecereis os ásperos e amargosTempos do semeador? Rude era o chão; agreste e longo aquele dia;Contudo, esses heróisSouberam resistir na afanosa porfiaAos temporais e aos sóis. Poucos; mas a vontade os poucos multiplica,E a fé, e as oraçõesFizeram transformar a terra pobre em ricaE os centos em milhões. Nem somente o labor, mas o perigo, a fome,O frio, a descalcês,O morrer cada dia uma morte sem nome,O morrê-la, talvez, Entre bárbaras mãos, como se fora crime,Como se fora réuQuem lhe ensinara aquela ação pura e sublimeDe as levantar ao céu! Ó Paulos do sertão! Que dia e que batalha!Venceste-a; e podeisEntre as dobras dormir da secular mortalha;Vivereis, vivereis!