Retrato do mesmo clérigo GREGóRIO DE MATOS (1696) Poema satírico atribuído a Gregório de Matos, provavelmente composto na Bahia no final do século XVII. Conhecido apenas por manuscritos coloniais e publicado em edições críticas modernas, oferece um retrato mordaz do clérigo anteriormente mencionado, expondo seus defeitos com ironia aguda. Pois me enfada o teu feitio,quero, Frisão, neste diaretratar-te em quatro versosas maravi, maravi, maravilhas.Ouçam, olhem,venham, venham, verãoo Frisão, da Bahia,que está retratadoàs maravi, maravi, maravilhas. A cara é um fardo de arroz,que por larga, e por compridaé ração de um Elefantevindo da Índia.Ouçam, olhem,venham, venham, verãoo Frisão da Bahia,que está retratadoàs maravi, maravi, maravilhas A boca desempenadaé a ponte de Coimbra,onde não entram, nem saem,mais que mentiras.Ouçam, olhem,venham, venham, verãoo Frisão da Bahiaque está retratadoàs maravi, maravi, maravilhas. Não é a língua de vacapor maldizente, e maldita,mas pelo muito, que cortade Tiriricas.Ouçam, olhem,venham, venham, verãoo Frisão da Bahia,que está retratadoàs maravi, maravi, maravilhas. No corpanzil torreãoa natureza previstaformou a fresta da bocapara guarita.Ouçam, olhem,venham, venham, verãoo Frisão da Bahia,que está retratadoàs maravi, maravi, maravilhas. Quisera as mãos comparar-lheàs do Gigante Golias,se as do Gigante não foramtão pequeninas.Ouçam, olhem,venham, venham, verãoo Frisão da Bahia,que está retratadoàs maravi, maravi, maravilhas Os ossos de cada péencher podem de relíquiaspara toda a cristandadeas sacristias.Ouçam, olhem,venham, venham, verãoo Frisão da Bahia,que está retratadoàs maravi, maravi, maravilhas. É grande conimbricense,sem jamais pôr pé em Coimbra,e sendo ignorante sabemais que galinha.Ouçam, olhem,venham, venham, verãoo Frisão da Bahia,que está retratadoàs maravi, maravi, maravilhas. Como na lei de Mafomanão se argumenta, e se brigaele, que não argumenta,tudo porfia.Ouçam, olhem,venham, venham, verãoo Frisão da Bahia,que está retratadoàs maravi, maravi, maravilhas.