A certo Provincial de certa religião que pregou o Mandato em termos tão ridículos que mais serviu de motivo de riso do que de compaixão GREGóRIO DE MATOS (1696) Poema satírico atribuído a Gregório de Matos, provavelmente composto na Bahia no final do século XVII. Transmitido apenas em manuscritos e publicado em edições críticas modernas, ridiculariza um sermão do Mandato tão desajeitado que provocou riso em vez de devoção. Inda está por decidir,meu Padre Provincial,se aquele sermão fatalfoi de chorar, se de rir:cada qual pode inferir,o que melhor lhe estiver,porque aquela má mulherda perversa sinagogafez no sermão tal chinoga,que o não deixou entender. Certo, que este lava-pésme deixou escangalhado,e quanto a mim foi traçadopara risonho entremez:eu lhe quero dar das trêsa outro qualquer Pregador,seja ele quem quer que for,já filósofo, ou já letrado,e quero perder dobrado,se fizer outro pior. E vossa Paternidade,pelo que deve à virtude,de tais pensamentos mude,que prega mal na verdade:faça atos de caridade,e trate de se emendar,não nos venha mais pregar,que jurou o Mestre Escola,que por pregar pare Angolao haviam de degradar.