Aos missionários, a quem o arcebispo D. Fr. João da Madre de Deus recomendava muito as vias sacras, que, enchendo a cidade de cruzes, chamavam do púlpito as pessoas por seus nomes, repreendendo a quem faltava GREGóRIO DE MATOS (1696) Poema satírico-religioso atribuído a Gregório de Matos, provavelmente composto na Bahia no final do século XVII. Preservado em manuscritos e editado apenas em compilações modernas, critica com ironia o rigor dos missionários nas vias-sacras públicas, que repreendiam nominalmente os ausentes. Via de perfeição é a sacra via,Via do céu, caminho da verdade:Mas ir ao Céu com tal publicidade,Mais que à virtude, o boto à hipocrisia. O ódio é d'alma infame companhia,A paz deixou-a Deus à cristandade:Mas arrastar por força, uma vontade,Em vez de perfeição é tirania. O dar pregões do púlpito e indecência,Que de Fulano? venha aqui sicrano:Porque o pecado, o pecador se veja: E próprio de um Porteiro d'audiência,E se nisto maldigo, ou mal me engano,Eu me submeto à Santa Madre Igreja.