Paisagem n°4 MáRIO DE ANDRADE (1922) "Paisagem n°4" compõe o livro Paulicéia Desvairada, marco da poesia modernista, escrito por Mário de Andrade (1893–1945). A obra explora a São Paulo da década de 1920, abordando a rápida urbanização, as contradições sociais e o ritmo acelerado da metrópole sob uma perspectiva vanguarda e libertária. Foi publicada originalmente em 1922, em São Paulo, e traz o famoso "Prefácio Interessantíssimo", que convida o leitor a romper com as formas tradicionais da literatura. Os caminhões rodando, as carroças rodando, Rápidas as ruas se desenrolando, Rumor surdo e rouco, estrépitos, estalidos... E o largo coro de ouro das sacas de café!... Na confluência o grito inglês da São Paulo Railway... Mas as ventaneiras da desilusão! a baixa do café!... As quebras, as ameaças, as audácias superfinas!... Fogem os fazendeiros para o lar!... Cincinato Braga!... Muito ao longe o Brasil com seus braços cruzados... Oh! as indiferenças maternais!... Os caminhões rodando, as carroças rodando, Rápidas as ruas se desenrolando, Rumor surdo e rouco, estrépitos, estalidos... E o largo coro de ouro das sacas de café!... Lutar! A vitória de todos os sozinhos!... As bandeiras e os clarins nos armazéns abarrotados... Hostilizar!... Mas as ventaneiras dos largos cruzados!... E a coroação com os próprios dedos! Mutismos presidenciais, para trás! Ponhamos os (Vitória!) colares de presas inimigas! Enguirlandemô-nos de café-cereja! Taratá! e o pean de escárnio para o mundo! Oh! este orgulho máximo de ser paulistamente!!!