Horas Vivas MACHADO DE ASSIS (1864) Machado de Assis em “Horas vivas” reflete sobre a passagem do tempo e as ilusões que se perdem na maturidade. As "horas vivas" são momentos de sonho que contrastam com o desencanto das ambições humanas, convidando o poeta ao repouso do devaneio. O poema compõe “Crisálidas” (1864), coletânea de poemas que marca a estreia poética de Machado de Assis (1839–1908). O volume reflete a transição entre o Romantismo da época e a agudeza psicológica que se tornaria sua marca registrada. NOITE; abrem-se as flores. Que esplendores! Cíntia sonha amores Pelo céu. Tênues as neblinas Às campinas Descem das colinas Como um véu. Mãos em mãos travadas Animadas, Vão aquelas fadas Pelo ar Soltos os cabelos, Em novelos Puros, louros, belos A voar. "Homem, nos teus dias Que agonias Sonhos, utopias, Ambições; Vivas e fagueiras, As primeiras Como as derradeiras Ilusões! Quantas, quantas vidas Vão perdidas, Pombas malferidas Pelo mal! Anos após anos, Tão insanos Vêm os desenganos Afinal. Dorme: se os pesares Repousares. Vês? —por estes ares Vamos rir; Mortas, não; festivas, E lascivas, Somos—horas vivas De dormir. —"