Entre o que vejo de um campo e o que vejo de outro campo FERNANDO PESSOA (1919) Este texto faz parte dos "Poemas Inconjuntos" (escritos entre 1913 e 1930), conjunto que reúne a produção dispersa de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa. Entre o que vejo de um campo e o que vejo de outro campo Passa um momento uma figura de homem. Os seus passos vão com «ele» na mesma realidade, Mas eu reparo para ele e para eles, e são duas cousas: O «homem» vai andando com as suas ideias, falso e estrangeiro, E os passos vão com o sistema antigo que faz pernas andar. Olho-o de longe sem opinião nenhuma. Que perfeito que é nele o que ele é — o seu corpo, A sua verdadeira realidade que não tem desejos nem esperanças, Mas músculos e a maneira certa e impessoal de os usar.